Palavras ao Vento Literatura

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

VOCÊ É BONITA






Você é uma das pessoas mais bonitas que eu já vi.
Você é mais bonita que uma pedra de opala, rubi, topázio ou
uma safira.
Se você fosse um lugar, seria tão bonita quanto à cidade
proibida da China, Bruxelas em uma manhã chuvosa de janeiro,
toda a Fernando de Noronha, a praça vermelha de Moscou nevando ou o
Taj-Mahal; E mesmo que você conseguisse ser mais bonita que
toda Birmânia em um dia nublado, não seria mais bonita que
Stonehenge na primeira manhã do equinócio de verão.

Você é mais bonita que a fauna das ilhas Galápagos.
Você é mais bonita que uma bola prateada de papel de cigarro
ou uma bola de cristal cigana envolta em fumaça de incenso.  
Todo fim de tarde, você é mais bonita que um bosque no sul da
França todo cheio de neve; e toda manhã, você fica ainda mais
bela do que quando chega a primavera com os girassóis, as
tulipas e os flamboaiãs.
Você é mais bonita que a chegada do outono em Budapeste
com as ruas forradas de folhas caídas dos Ipês roxos.
Você merece uma foto tanto quanto um gato novinho com o
olhar curioso, um panda dormindo de boca aberta, um coala
brincando ou um grupo de golfinhos nadando na frente dos
barcos.

É mais bonita que um Boeing 737 ou um concorder no momento
em que vão pousar.
Você é mais bonita que a pirâmide do Louvre ou um trem bala.
Você é mais bonita que o Everest ou o pico da neblina.
Se você fosse uma história, seria tão bonita quanto a de Éros e
Psiqué.

É tão fofa quanto um travesseiro recheado com de penas de
ganso ou aqueles da Nasa com espuma cheio de frescura.
Você é mais bonita que uma refinaria da Petrobrás à noite.
Você é mais bonita que um arco-íris quando acaba de chover.
Você não é mais bonita que a bandeira do Brasil.
É tão linda quanto o mar azul-safira da Republica Dominicana e
tem um cheiro mais gostoso do que comida feita em fogo de
lenha ou grama recém cortada.
Você é tão mágica quanto Circe.
Você é tão linda que até poderia ser uma aurora boreal em pleno
solstício de inverno.

Se fosse pela suavidade de seus movimentos, você seria um
flamingo querendo acasalar, um albatroz planando acima da
praia ou então uma bailarina do Bolshoi encenando o lago dos
cisnes, do Tchaikovsky.
Você é mais romântica que uma lua de mel em Veneza.
Tem dentes tão brancos que mais parecem pastilhas de hortelã
ou uma foto da Antártida.
Você é mais bonita que um porta-aviões ou um submarino
nuclear.
Se você fosse uma invenção, seria tão bem bolada quanto o
computador, o jogo de xadrez, uma partitura musical ou um
celular.
Se você fosse uma pintura, seria tão linda quanto o retrato de
Adelé Bloch-Bauer I, teria quase o mesmo semblante enigmático
da Mona lisa, o sentimento de estupefação diante do olhar da
menina com flores, do Renoir, o olhar compenetrado da
rendeira, de Vermeer ou o olhar fixamente perdido como o da
lavadeira, de Toulouse-Lautrec; e ainda por cima, consegue ser
quase tão bem feita quanto os quadros de Adolph Bougureau,
Caravaggio ou os do Peter Paul Rubem (é só colocar aquele seu tomara-que-caia azul)

A sua ausência dói tanto quanto vislumbrar o sofrimento da Pietá
ou o fim dos Beatles.
Ás vezes você é quase tão triste quanto um solo de cello em fá
bemol executando uma peça barroca.
É mais bonita que um mantra hindu ou um poema árabe.
Você é mais valiosa que o diamante Iluminati ou um violino
Stradivarius.
Quando maquiada, você parece àquelas gueixas de passinhos
apertados.
Ás vezes você fala certas coisas que são tão difíceis de
compreender quantos as obras de Michel Basquiat.
Seus olhos, mais parecem à vista aérea da Amazônia.
Você é mais expressiva que Charles Charplin, mais nostálgica
que o Hamlet, tão sonhadora quanto Cinderela, tão observadora
quanto Dante Alighieri e mais determinada do que Quixote.

Talvez seja mais envolvente que um quarteto com um fagote,
dois violinos e um piano executando a suíte n.01, de Bach.
Você é tão linda quanto o amor da bela pela fera.
Não chega a ser emotiva como Drumonnd, Pablo Neruda,
Gonçalves Dias, T.S. Eliot, Vinícius de Morais, Rubem Alves,
Miguel de Cervantes e nem Ferreira Gullar, mas é altamente
apaixonante como Clarisse Lispector, Fernando Pessoa, e
quando quer, original como Shakespeare, Luiz de Camões,
Doistoiewisk, Ignácio de Loyola Brandão, Martha Medeiros, Edgar Allan Poe,
Tostoy ou Luiz Fernando Veríssimo.
Tem horas que você consegue ser mais agitada que um
mercado marroquino e mais complicada que filosofia Kantiana e Heideggeriana juntas.
Se você fosse um perfume, ganharia de mil a zero para o chanel
nº5 (se bem que eu uso o Hugo Boss).
Você podia ter cabelos mais bonitos, mas mesmo assim eles
são tão lindos que mais parecem às cortinas do Alla Scalla, de
Milão, e quando pintados, as do Carnige Hall, de Nova York.
Você é como um anjinho renascentista pintado por Rafael, mas
não com tantos traços redondos; e é também como uma flor,
mas não chega a ser uma verbena, uma gardênia, uma orquídea
e nem uma açucena.
Você é tão tranquila que mais parece um lago que tem lá perto
de casa.

Você é tão hipnótica quanto um canto de um coral gregoriano,
entoado em Ré menor na catedral de Notre Dame, iluminada só
com as velas, durante um crepúsculo em uma tarde bem fria.
Você é mais excitante que uma montanha russa de 80 metros.
Você é tão desejada quanto a Carmen, de Bizet.
Quando você dança, não sacode a pélvis tanto quanto o Elvis
Presley, não balança a cabeça tanto quanto o Max Cavalera, não joga tanto o cabelinho de um lado ao outro como
o Paul McCartney, não sacode os braços mais que
o Mike Jaguer, e é, exatamente por esses
motivos que, se eu dançasse, não teria vergonha de te chamar
para sair.

Você é mais bonita que um por do sol na cordilheira dos Andes
ou no Himalaia.
Quando estou perto de você, fico tão em transe quanto Buda
vislumbrando o Nirvana.
Você é tão doce quanto uma trufa de chocolate com recheio de
maracujá.
Você é tão profunda quanto um solo de guitarra do David
Gilmour e é tão temática quanto um disco do Emerson, Lake &
Palmer, Mike Oldfield, da Enya ou do Vangelis.
Se você se esforçasse mais, talvez fosse tão bonita quanto à
luta pela reforma agrária, uma criança africana matando a fome,
a revolução cubana ou a luta pela libertação da Palestina.
Você me faz tão bem quanto quando em sonhos eu converso
com a minha morta mãe.
Você é tão gostosa quanto uma água de coco na praia de Boa
Viagem ou um suco de graviola no inicio do dia.
Você não é tão inteligente quanto os protagonistas dos livros de
Umberto Ecco ou do Conan Doyle; não sofre por amor tanto
quanto os personagens de Machado de Assis, José de Alencar
ou de Eça de Queiroz, e não sabe mais de filosofia quanto
Schöpenhauer, Kierkegaard, Karl Marx, Hegel, Sartre, Descartes
ou Nietzsche ou Foucault, mas é exatamente por esses motivos que eu
poderia passar horas e horas conversando de igual para igual
com você.

Quando você quer, consegue ser tão quente quanto Pompéia
invadida pelas larvas do Vesúvio ou tão fria quanto uma chuva de
granizo no inverno da Sibéria.
Se você fosse um animal, seria tão linda quanto uma tigresa de
Bengala brincando com os filhotes, uma pantera solitária
olhando pelo meio das folhas, uma gata siamesa bebendo leite
no pires e com o bigode todo molhado, uma ave do paraíso
fazendo a dança do acasalamento ou uma coelhinha curiosa
balançando o narizinho só com a cabeça fora da toca.
Se você fosse uma música, seria tão cantada quanto “parabéns
para você”, tão linda quanto stairway to heaven ,
love of my life (na versão ao vivo) ou tão querida
quanto Imagine do Jonh Lennon; e com certeza que sendo você
uma música, ia fazer mais gente chorar em formatura do que a
canção da América, do Milton Nascimento.
Às vezes, você é tão frágil quanto uma boneca de porcelana ou
aquelas bolinhas coloridas de vidro que eles colocam nas árvores de
natal.
Se você fosse um prato, poderia escolher entre ser tão
sofisticada quanto um escalope di coq flammele avec vin
château du valée, servido com ervas aromáticas árabes,
precedido de caviar mediterrâneo com torradas de baguete
italiano de entrada e sorvete de cerejas gregas com cobertura de
framboesa inglesa, de sobremesa, sendo esse prato,
acompanhado de uma garrafa de vinho Petrus. Ou deixar de
frescura, e ser uma bela de uma feijoada gorda ou um churrasco
gaúcho de maminha e picanha na brasa acompanhada de
cerveja gelada (se bem que eu nem bebo nem como carne).
Você é mais misteriosa que toda maçonaria, a Golden Dawn e a ordem Rosa Cruz Juntas.
Eu acho você mais bonita que Cleópatra, Andrômeda, Helena de
Tróia, a ninfa Calypso, Perséfone, Julieta ou Afrodite.

Devo dizer que às vezes você me deixa mais confuso que
esculturas pós-modernista ou pinturas abstratas
contemporâneas.
Você é tão bonita quanto o resultado de uma descarga de
energia atômica de uma super nova ou o brilho de uma anã
branca fotografada pelo Hubble.
Você é quase tão interessante quanto o guinness book ou
aqueles almanaques anuais, altamente divertidos apenas com
simplicidades.
Quando você anda, tem tanto estilo que mais parece uma top model,
mas sem aquele andar ridiculamente forçado.
Você é mais meiga que uma criança aprendendo pintar.
Com certeza você é mais bonita que a tabela periódica dos
elementos, um cálculo probabilístico de física nuclear, um
tratado sobre direito tributário ou uma prova de anatomia bucal.
Talvez você pudesse ser mais iluminada que toda Cingapura,
Sidney, Londres ou Tóquio na noite de ano novo.
Você é tão linda quanto uma estrela do mar bem laranja, e é
também tão linda quanto aqueles peixinhos azuis e amarelos
que toda vez eu esqueço o nome deles.
Você me deixa mais deslumbrado do que fica um matuto quando
ver o mar pela primeira vez.
Você é mais marcante que uma viagem ao Cairo, a Istambul, a
Atenas, a Bangkok, a Nova Delhi, a Pequim ou a Jerusalém.
Falando sinceramente, você às vezes, é mais chata do que
esperar alguém em um lugar barulhento e abafado.
Seus olhos brilham tanto quanto as plêiades, as Híades, a via láctea,
as ursas maior e menor e todo cinturão de Órion.
Você é mais forte que o primeiro ato de Carmina Buranna, do
Karl Off.

É tão bonita quanto um par de olhos azuis.
Você me dá mais prazer que beber uma água mineral depois de
um longo e cansativo esforço físico.
Tem vezes que as suas palavras cortam mais profundamente
que uma espada de samurai; e dói.
Você é mais manhosa que uma grávida de gêmeos.
Tem a pele tão lisa que mais lembra um azulejo.
Quando quer, consegue ser mais alegre que um operário
assalariado quando tira um prêmio na loteria bem no fim do ano,
e, vez ou outra, fica mais depressiva que uma mãe enterrando o
filho morto por uma doença evitável.
Tem uma voz tão bonita que até poderia cantar a flauta mágica,
do Mozart, ou The Great Gig in The Sky, do Pink Floyd; mas
mesmo assim, não iria cantar tanto quanto a Laura Pausini.
Já sabe que sendo um carro você seria um Rolls Royce Silver
Spriter branco e conversível ou um Audi A8 top de linha.
Quando você me olha de modo penetrante, confesso que fico
mais tonto de que quem cheira um litro de formol.
Você bem que poderia tentar ser menos caridosa do que madre
Tereza de Calcutá ou o Chico Xavier.

Adoro quando você fica tão inocente quanto um bebê que dorme
chupando dedo ou um velhinho gagá procurando por toda a
casa os óculos que estão na ponta do nariz.
Seu beijo tem gosto daqueles finos chocolates austríacos de rum
com amêndoas de Damasco e passas francesas.
Você é tão agradável quanto uma taça de vinho Saint’ Perlion da
safra de 1983, degustado ao som da Ópera Aida.
Às vezes, você é mais direta que um balancete financeiro.
Você continua linda mesmo quando, com raivinha e de cabelo
preso em um rabo de cavalo, metida em uma calça jeans
surrada e vestindo, sem maquiagem, uma camiseta regata sem
estampa, reclama que é a última vez que faz o almoço.
Para dizer a verdade, você não é mais bonita que a rainha Silvia
da Suécia, não tem um sorriso mais bonito que uma professora
de português que eu tive na 5a. Série e nem tem aquele olhar
lindo, mas meio triste, da princesa Diana; porém, mesmo assim,
você continua tendo esse seu encanto singular.
E se você for mais ciumenta que a Sininho, do Peter Pan ou
bater mais forte que a Mônica do gibi?

Não importa; o que importa é que você não fique de ego inflado
só porque é mesmo muito bonita.


É Isso.

Edson Floyd.