Palavras ao Vento Literatura

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

cativa...




meus versos trazem palavras de sol
às vezes são nevões de pavor
tempestade que me leva à obscuridade
onde só se ouve o sopro e o rumor
que ainda sinto e é saudade
meus versos são um mundo de palavras
despidas de perfeição
todos eles de efémera glória
sonham ser palavras de eleição
sementes criadas ao crepúsculo
quando o sol guarda a mantilha
e aparece a lua e brilha
hora das recordações, das emoções
carregadas de doçuras
meus versos são inventário
de lamentações...
são rajadas de vento por entre as urzes
do meu pensamento
escadarias que me levam ao infinito
relâmpagos que me rasgam a mão
o grito que me sai, a ferida, a respiração
a obsessão...
meus versos são furor nascido em mim
quando escrevo sinto-me livre
enquanto houver vida vai ser assim
assim, até ao fim...

natalia nuno
rosafogo

sábado, 11 de julho de 2015

já tudo foi ontem...



há pássaros ocultos na minha solidão
enrugam meu rosto enquanto
repito palavras aprendidas,
e assim meus versos são
ilusões vividas, felicidade ou
esquecimento da realidade?
fugacidade do tempo
como o fumo duma fábula,
já tudo foi ontem.
na minha mente ensombrada
corre um fogo indolente,
donde saio pinha queimada,
tudo em vão...
e os meus versos o que são?
velhas sabedorias, onde não
se retorna, nem por piedade,
fica o vazio dos meus passos
a solidão obstinada e fria, a saudade
da prisão dos abraços d'algum dia.
assim a noite se desvia entre a sua magia
eu colho sonhos.

natalia nuno

sexta-feira, 10 de julho de 2015

este poema...





neste poema há o rosto
duma mulher triste
nas palavras abriga-se assustada
tem a idade dum tempo sem idade
e o bocejar cinzento
quando o pensamento se passeia
pelos labirintos da saudade.
neste poema há ainda outros sinais
palavras surdas de consoantes e vogais
que ora são rios de mel
ora são agitações e fel...

este poema é feito
de cicatrizes, rugas e sonhos
e insónias que não deixam adormecer
encantos e desencantos
memórias de momentos de prazer
de ternura, de dureza e insensatez
de palavras surdas providas
da minha surdez...
palavras encostadas aos meus lábios
alheias ao tempo
surgem em ventos de desejo
recordando o tempo que me agasalhou
outrora...
e eu acalento o sonho...hora a hora...

natalia nuno

segunda-feira, 6 de julho de 2015

raminhos de alecrim...(memórias)


Esta a minha 1ª partilha neste Blog, cumprimento a todos os amigos que dele fazem parte, agradeço ser recebida entre vós, será um prazer ler os vossos escritos  e de mim deixar alguma poesia.
Um especial agradecimento ao amigo
E.P.GHERAMER, pelo convite.







pequena prosa


hoje vim apanhar raminhos de alecrim, escolho caprichosamente, como se as minhas mãos fossem de delicado artista, que tanto escrevam e me façam sonhar afagando meu tempo de outono...as águas alegres do rio sorriem para mim, um freixo agita a ramagem com a aragem que vai para sul...um constante silêncio, apenas interrompido pelo chilrear duma ave na azul lonjura...no destino da tarde trazemos lembranças nostálgicas, no coração e no no pensamento, ecos desprendidos da infância,  a nostalgia se aprofunda e recordamos os poentes dos dias inolvidáveis e inesquecíveis...mas hoje vim apanhar alecrim aos molhos, e por mim passam todos os dias da minha vida, e no meu coração há sempre uma cicatriz pronta a abrir, deixando-me numa saudade que às vezes é de lágrimas, outras de risos. mas sempre me protege do esquecimento...as minhas mãos recordam essa vida distante, de lavar no rio, de escolher os figos na eira, de segurar a cântara à cabeça, eram estes   afazeres os livros que tanto ansiava e nunca tive... acordar o passado e deixá-lo no meio do silêncio da gente e da natureza, é acender uma chama onde existe força, emoção, e ainda caminho para prosseguir, quase alegre como se tivesse asas para perseguir as palavras que vou plantando neste doce cansaço que me reconcilia com o tempo e com a vida...hoje aproveito a dávida deste aroma do campo para matar a sede dos meus sonhos. E sempre faço a mesma pergunta: quem és? porque continuas aí? E a menina do baloiço me sorri, já começa a esfumar-se o seu rosto, apenas alcanço a sua ténue voz...já é apenas um sonho!

natalia nuno
imagem do blog Violeta lilás Vintage.